Como não sei o que dizer, simplifico tudo em imagens: o poente e a igreja pertencem a uma cidade desse interior que vivi da janela de meu quarto de hotel: sobre o resto, nem preciso escrever:
- roteiro para assistir os videos abaixo: ao tempo que o video do youtube despeja sua música, assista ao primeiro filme: o poente. Depois, desligue qualquer forma de música ou rúido e assista o segredo do segundo filme. Beijos da L.
segundo video: música de torre
13 de set. de 2009
7 de set. de 2009
eu queria escrever esse poema de chuva para livrá-la de todo cansaço inútil, eu que te acho mais bonita que a lenda do boto e de quem escuto, todos os dias, que temos que aprender a lapidar aquilo que em nós é o divino espírito santo de uma varanda com pomar de conchas,
...
Temo que amanhã eu acorde e v. tenha bordado as velas da nau.
Temo que a última cena seja essa:
Primeiro v. dirá, A arquitetura do desespero e do medo, só o que teus olhos sabem decifrar. Teu coração bate o luto dos dias.
Depois prepara o café enquanto cola selos em postais de despedida, Esse é para meu pai que, mesmo morto, ainda martela, em meus sonhos, a rigidez e a palmatória.
FIM.
4 de set. de 2009
hoje queria ser a sombra de uma poeta (porq estou triste de lembranças!). ela, alfonsina, que morreu no mar, a sua dor sua, insuportável até os ossos, fez com que entrasse no mar até que o oceano entrasse nela. Aqui o seu último poema. e uma música fenomenal que conta a sua história triste, porém belíssima. A., nos te amamos.
seu último poema:
VOY A DORMIR Dientes de flores, cofia de rocío, manos de hierbas, tú, nodriza fina, tenme prestas las sábanas terrosas y el edredón de musgos escardados.
Voy a dormir, nodriza mía, acuéstame. Ponme una lámpara a la cabecera; una constelación; la que te guste; todas son buenas; bájala un poquito.
Déjame sola: oyes romper los brotes... te acuna un pie celeste desde arriba y un pájaro te traza unos compases
para que olvides... Gracias. Ah, un encargo: si él llama nuevamente por teléfono le dices que no insista, que he salido...
trecho da novela "Eu queria ser aquela sombra que o chapéu faz em tua clavícula".
para p. lira
vou sonhar a pedra do teu coração feito um martelo no linho obscuro da pérola quem chorou o muro das lamentações intui que a eternidade é a loucura longínqua de facas atravessadas Ela entra no céu por uma greta atravessada naquela nuvem: se deus falasse, ficaria calado: ela é o próprio mistério dos sinos todos de todas as catedrais de todos os mistérios transversais atravessados na memória: à noite ela deita a tessitura da cervical na grama fria: eu queria atravessar teu peito com esse arpão sagrado que é a palavra, então escrevo esse cavalo árabe que não morrerá comigo: nasço o abismo floral de todo escuro: um tigre doente habita o meu peito frio E se casei com a noiva da neve, foi para que me soprasse: o gelo: no gelo do coração: a língua gelada na nuca d’aço-frio: as minhas mãos: que mais algas marinhas: encharcariam: num concerto de rachmaninoff: a peixe todo o municipal. Assim ela entraria em meu coração: com o sono do chuveiro espalhado na pele, vestiria toda a nudez quando sai da toalha molhada e atravessa o filme do Fellini já gagá entre a névoa: filma essa música espalhada na paisagem: um deus decaído, que se falaria, preferiria ficar calado, chupa a chuva na tua coxa com brincos de coral e pérola caindo das orelhas: o arpão da língua a atravessa até o infinito: se te falo: todo o livro é uma declaração de amor, foi porq chorei esses versos ainda hoje quando entravas no esquecimento de um dia de tédio: o tédio já é o deus cansado de sua falta do que dizer pois pode que ele desconheça a melancolia, e o amor: eu entro no quarto com o chapéu de chuva atravessado com violinos de Béla Bartók: ela não acende algum cigarro: não pensa nas lamas do führer: eu bebo a água acumulada na sua clavícula:
La cosidad es ese desagradable sentimiento de que allí donde termina nuestra presunción empieza nuestro castigo. Lamento usar un lenguaje abstracto y casi alegórico, pero quiero decir que Oliveira es patológicamente sensible a la imposición de lo que lo rodea, del mundo en que se vive, de lo que le ha tocado en suerte, para decirlo amablemente. En una palabra, le revienta la circunstancia. Más brevemente, le duele el mundo.
Julio Cortázar - Rayuela
No real da vida, as coisas acabam com menos formato, nem acabam. Melhor assim. Pelejar por exato, dá erro contra a gente. Não se queira. Viver é muito perigoso...